terça-feira, 13 de novembro de 2012

VÓ LAURA

Uma das melhores sensações da minha vida era comer o bolo de fubá da minha avó Laura. Bolo imbuído de  amor e sabedoria. Bolo fofo, bolo feito com mãos calejadas, mãos experientes. As mesmas mãos que afagaram cabelos em momentos de desespero, que embalaram berços, que estenderam lençóis em locais estratégicos como sinal de aviso para meu avô saber que os cupinchas da ditadura estavam vigiando seu lar.
Mulher de garra e de fibra. Que suportou a solidão nos anos de chumbo, com a família toda encarcerada, sem nem ao menos saber se estava sozinha no mundo! Criou além de filhos, netos com muito amor. Mulher, mãe e avó... bisa!
Avó de verdade, daquelas que não se vê mais hoje em dia, com cheirinho de vó, com roupinha de vó, carinha de vó, abraço, olhar, fala e doçura que só os anos e a sabedoria dão a uma avó!

Há tanto tempo não como mais seu bolo de fubá. Que sem sombra de dúvidas é o melhor bolo que já comi na minha vida.

Me doi tanto saber que não mais vou comer.

Seu sabor ficarão para sempre marcados em mim.

Vó Laura. Cabelinho encaracolado, feitos com cuidado no salão... vó que não se vê mais hoje em dia...




Fica com Deus VÓ.








[Difícil sair de casa agora pra vê-la, pela última vez... falta-me coragem]





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