quarta-feira, 14 de abril de 2010

Liberdade, será que somos livres?



Eu estava lendo o texto que escrevi sobre a infelicidade real e decidi escrever sobre algo que li muito hoje a tarde, no qual fez minha cabeça trabalhar bastante!
Eu estou lendo um livro muito bom chamado ÉTICA PARA MEU FILHO, de Fernando Savater, da editora Martins Fontes. De início acreditei ser um livro que ensinasse como passar para os filhos a questão da ética. Fiquei meio com o pé atrás, mas achei que deveria mesmo assim ser um livro interessante, já que gosto muito do assunto. O autor fez este livro para seu filho, então sua leitura é fácil e o livro é gostoso de ler, longe de ser chato e teórico demais. É uma espécie de livro que todos deveriam escrever para seus filhos, pois percebe-se nitidamente que ele conversa com o filho no livro de uma maneira que não deve conversar diariamente. As palavras escritas, muitas vezes, são muito diferentes das faladas. Eu, por exemplo, não converso dessa maneira ou não falo tanto sobre tudo isso que escrevo aqui com as pessoas ou por falta de oportunidade ou porque falando as coisas mudam! É claro que falo de alguma forma, mas falando é sempre diferente do que escrevendo. Enfim, vamos começar a falar sobre liberdade.
No capítulo que li a tarde (Faça o que quiser), ele fala muito sobre liberdade. Começa dizendo para o filho (e leitores) a seguinte frase FAÇA O QUE QUISER. Não no sentido irresponsável da palavra e também sem obedecer à caprichos, mas no sentido de não se isentar de fazer suas próprias escolhas; sem opinião alhei, condenação, etc. Ele coloca a liberdade como uma responsabilidade criadora de escolher o seu caminho.
Foi aí que fiquei pensando, que no mundo atual sofremos inúmeras influências, para não dizer imposições, sobre como devemos levar nossa vida. São os costumes, a cultura e a ordem. Pelo o que eu entendi, Fernando Savater diz que não podemos deixar costumes, cultura e ordem serem decisivos na hora de escolher o que é melhor para nós e nos dar uma vida boa (uma vida boa de Ser Humano, como ele diz). Isso de forma alguma quer dizer que todo mundo deve sair desrespeitando leis, inflando seu ego e fazendo merda adoidado. De forma alguma. Isso quer dizer, que devemos questionar no nosso íntimo, lá no fundo mesmo, o que queremos para nós, não momentaneamente, mas no nosso Ser. O que jamais se dá depois de ver vitrines de lojas e sair comprando tudo compulsivamente, de entrar no supermercado e comprar só porcaria que nos fará sentir-se mal, de dar um soco no primeiro que fizer uma ofensa e depois de tudo isso extravasado se arrepender e chorar; pois tudo isso são coisas feitas pelo impulso, pelo instinto, pela parte que age sem pensar e como diz o texto abaixo sobre a infelicidade real, tudo aquilo que é movido pela alegria, pelo prazer, agitação vã, etc, faz calar a consciência e comprime a ação do pensamento. Fazer isso, se deixar levar pelo que é ditado, pelo sistema, pelo capitalismo, pela indústria do sexo, etc, é justamente não ser livre! Já que cumprimos o que nos é instigado.
Ser livre é muito mais profundo que tantos dizem por aí. Ser livre "deve ser (não posso afirmar)" saber quem somos, até onde podemos ir; saber quando agimos com o coração ou por impulso; perdoar (o perdão é a maior prova de liberdade, pois provém do amor!); relevar; saber escolher; não precisar tomar um gole ou puxar um trago para relaxar, esquecer, criar, ser paciente... Ser livre, deve ser sermos capazes de mostrar nossa essência e arcar com as responsabilidades, pois em um mundo como o nosso, não ser parte de um sistema, de uma cultura, de costumes, ordens e lutar pelo justo, é extremamente desgastante e difícil, mas possível e digno!
Acho que um questionamento muito importante para fazermos sempre é: O QUE NÃO É SER LIVRE? Acho que com esse questionamento nos deparamos com quanto não somos livres e o quanto não respeitamos a liberdade do outro. Não ser livre é agir exatamente como diz o texto abaixo, se deixar levar por tudo que é INFELICIDADE REAL.
É claro, que para exercer essa liberdade na íntegra, ou seja, não confundir o que é liberdade com libertinagem e sair prejudicando um monte de gente, precisamos ter uma base de ética e uma consciência que fale conosco grande parte do tempo. Como disse em outro texto publicado por esses dias, a consciência é algo que fica no miolo do nosso Ser; o que difere uma pessoa da outra é o que envolve esse miolo, se uma fina casca de ovo ou uma grossa parede de pedra. Esse revestimento que vai nos permitir acessar melhor nossa consciência até que um dia ele não exista mais e daí vamos viver plenamente como somos em essência, como fomos criados inicialmente, AMOR. Seremos então o homem integral. Temos inúmeros exemplos de espíritos que passaram pela Terra e foram integrais: Jesus (Ele já era um espírito de luz muitíssimo evoluído), Chico Xavier, Madre Teresa, Santo Agostinho, etc...
Prejudicar pessoas, pelos costumes, culturas ou ordens, é um exemplo claro de falta de liberdade; a falta de respeito aliás mostra nitidamente a falta de liberdade. As pessoas têm uma visão deturpada do que é prejudicar. Alguém que sai por aí beijando todo mundo, como se fossem objetos, pra mim não faz bem pra ninguém, muito menos pra si. Ou quem usa drogas e deixa sua família preocupada... Quem se diz tão cristão como 3 jogadores do Santos, que foram com o time em uma instituição de crianças na páscoa, mas não desceram do ônibus porque eles são evangélicos e a instituição era espírita; e as crianças esperando as 3 estrelas do santos. De certo eles pensam que o Jesus deles é diferente dos espíritas... isso na páscoa hein?! Me digam, essas pessoas são livres?! Deixam uma ordem, que é a religião, falar mais algo que a essência, o amor ao próximo.
Uma questão muito importante a ser considerada é o quanto influenciamos a liberdade dos outros. Como seres que são "manipulados" muitas vezes, nossas frustações nos fazem manipular. Agora pense, alguém que se dedica em consquistar um outro alguém, sossegado na sua, para simplesmente dar uns beijos, uns amassos ou conseguir o que deseja, é livre? Ou um pastor, padre, dirigente, etc, que lidera pessoas, coloca na cabeça de cada uma delas que a doutrina que seguem é melhor que outras? Mais uma vez voltamos na infelicidade real, nos prazeres, no momentâneo, etc.
Enfim, para sermos livres realmente, com certeza temos que ser o que não estamos sendo. Temos que ter consciência que nossa liberdade acaba no momento em que começa a do outro. Sim, acaba! Porque a liberdade, como já disse, não é sair fazendo o que dá na telha ilimitadamente, mas saber o que somos ou queremos de verdade para nós, respeitando e ajudando sempre nosso próximo.
Tanta gente fala de amor, amor, amor... mas é na maneira como as pessoas "amam", que pode se notar o quanto são livres e o quanto respeitam a liberdade do outro. Na boa, alguém que beija 20 em uma micareta não pode ser uma pessoa que ama de verdade, que é livre e que respeita a liberdade do outro, pois não respeita nem o corpo, a imagem, que são coisas passageiras, quem dirá a essência. Alguém que tem um relacionamento e vive proibindo o outro também não; aliás não entendo esse tipo de relacionamento, regado à mentiras e joguinhos. Pessoas que vivem pra comprar, vivem pra comer, vivem pra sair, vivem pra beber ou se drogar, vivem pra falar da vida dos outros, vivem pessimistas, são invejosas....
O fato, é que quase ninguém é livre. Por um motivo ou por outro nos vemos sempre acorrentados aos costumes, à cultura ou às ordens, quase nunca seguindo nossa intuição e vontade verdadeira. É claro que essas três questões não são de todo ruim, a cultura, os costumes e as ordens tem também seu papel fundamental, mas talvez nem tanto na liberdade.
Só para finalizar, vou dizer algo muito importante que percebi neste capítulo do livro. De que uma outra forma de perceber se somos livres e se respeitamos a liberdade do outro é notar o quanto ESCUTAMOS, não ouvimos, mas ESCUTAMOS o outro. Porque ele vai ser na mesma proporção do quanto ESCUTAMOS a nós mesmos e respeitamos nossa própria liberdade. Não há como fazer algo com o próximo sem fazer consigo mesmo.
Vou encerrar com uma maravilhosa frase desse autor: "Por isso, falar com alguém e escutá-lo é tratá-lo como uma pessoa, pelo menos começar a lhe dar um tratamento humano." (Fernando Savater)

Gabriela Grecco
14/04/10

2 comentários:

  1. Oi, Gabi, tudo bem?
    Acabei de ver seu blog, e já achei o primeiro texto muito interessante (já tou indo ler os outros). Já está adicionada aos meus links ;)
    Beijos e obrigada pela visita!

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  2. Oi! Estou bem obrigada!
    Que bom!
    Adorei seu trabalho!
    Sinta-se à vontade.
    Bjo e obrigada pela sua visita também.

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