domingo, 3 de janeiro de 2010

Sempre acompanhada, sempre sozinha / Sempre sozinha, sempre frustrada

É isso que dá viver
Em um mundo tão particular
Onde os pensamentos voam
Onde as palavras sabem falar

Algo secreto que ronda
Que me desmancha o interior
Sem deixar rastros
Sem deixar sombras
Algo assim, superior

De seis meses e meio eu vim
Não suportava mais sentir
As dores e sofrimentos de minha genitora
Dores essas, passadas à mim

No inferno adentrei
E ainda estou a adentrar
Fui aclamada como anjo
Os meus olhos poderiam reinar

Pude tudo suportar!
Até da morte escapei
Eu queria muito estar
Neste mundo, neste Ser

Mas, talvez, tudo aquilo fosse demais pra mim
Assim ter que tanto sofrer
Brigas e ódio sem fim

Desde muito pequena pude perceber...
Que minha vida teria de viver
Sempre acompanhada, sempre sozinha!

Esse meu mundo tão particular
Me protegia
Me fazia viajar
Ir pra longe de todo o caos
Mas logo aí estava o mundo real

Filhos de um casamento desfeito
Ou o filho sem pai
Sempre tinham menos defeitos
Sempre me roubavam a paz

E então...
Um anjo lindo na minha vida apareceu
Das cinzas me tirou
Acalento me deu
Me fez sentir amada
Me fez não estar só
Mas como tudo não são contos de fadas
Eu ainda sinto dor!

Esse mundo tão particular
Que me protege e distancia
Às vezes é melhor
Às vezes é uma sina

E eu sei que posso ver
Coisas raramente vistas
Eu só queria um dia poder
Nunca estar sozinha

Porque não há maneira pior
De estar só, acompanhada
Talvez essa seja minha sina maior
Sempre sozinha, sempre frustrada

Gabriela Grecco JAN/10

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