quinta-feira, 3 de junho de 2010

Tem coisas que são tão difíceis de dizer, mesmo que seja no papel

Eu ando meio distante dos meus textos ultimamente, pra não dizer distante do blog. Mas é que tem tanta coisa que quero e não quero dizer. Aliás, quero dizer e não quero lembrar.
Agora mesmo, estou com uma dor e angústia no peito porque comecei a escrever aqui e sei onde quero chegar. Pra falar a verdade, eu não queria falar do acidente, a cicatriz ainda está recente, mas sou eu e minhas atitudes que estão ajudando a cicatrizá-la.
Hoje, há uma coisa que quero muito falar... Que eu já sabia que algo muito grave ia acontecer comigo uma semana antes de acontecer. Eu acreditava que ia ser pior, que eu iria desencarnar. Mas apesar disso tudo, eu estava tranquila, não estava com medo, nem desesperada.
Conforme o tempo passava, eu sentia que o fato se aproximava. Um dia antes, eu passei na minha mãe à noite, depois de ir no shopping, eu estava meio angustiada. Falei pra ela, que no seguro do meu estágio estava o nome do Marcos somente como beneficiário, caso algo acontecesse comigo ele receberia a indenização, mas pra ela não se preocupar, que o que ela precisasse o Marcos daria à ela.
No dia seguinte, não fui à aula e não queria ir ao estágio, eu estava desanimada, angustiada... queria ficar em casa com o Marcos que estava de férias. Pois foi nesse dia, voltando do estágio, que não pude fazer o que mais queria: chegar em casa!
Não quero dar detalhes do acidente, pois a minha falta de ar começa e aí me sinto mal em algumas das vezes, mas de noite, no quarto e sozinha, eu respirei fundo, me senti muito bem e disse: OBRIGADA MEU DEUS! EU ESTOU VIVA! Naquele dia eu não chorei, era uma quinta-feira. Eu só fui chorar no domingo.
Eu não sei o que combinei lá em cima, mas eu pude estar aqui novamente e sou grata por isso! Isso, essa maneira de ver as coisas, as tornam um pouquinho mais fáceis, mas não quer dizer que elas sejam totalmente assim. Não é pelo que passamos, mas a maneira como as vemos é que define como vamos continuar!
Eu agradeço à Deus todos os dias por ainda estar aqui e por todo dia que saio de casa poder chegar nela, nem que seja pra ficar só meia hora (minha vida continua corrida, agora ainda mais)!
Vou terminar o texto, já estou em lágrimas por lembrar desse momento, em que eu toda quebrada, com dores terríveis, ralada, engessada, enfaixada, sozinha, chocada e um pouco assustada, pude agradecer por viver e sentir um pouco de pena do cara que me atropelou, embora ele estive totalmente errado.
Meu gato, o Dionísio, já percebeu que estou chorando e veio aqui dentro me dar amparo. É por isso, pelo Marcos, pelos meus pais, meus sogros, meus avós, minha irmã, minha tia, algumas pessoas mais da família e poucos amigos que eu vivo hoje! Em todos os sentidos, tanto no sentido de ter vontade de viver, quanto no que eles me deram a força necessária pra continuar.
Fiquem com Deus e agradeçam todos os dias por colocar os pés em suas casas!

Gabriela Grecco
03/06/2010

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