segunda-feira, 12 de abril de 2010

A INFELICIDADE REAL

Ontem, como sempre fazemos aos domingos, lemos o EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, codificado por Allan Kardec com psicografias do mundo todo. Como espíritas fazemos isso como uma forma de proteção para o lar, para nós, nossos animais e para sempre estudar a doutrina. Abrimos aleatoriamente e o ensinamento que caiu foi A INFELICIDADE REAL, do Cap V - Bem Aventurados os Aflitos; pelo espírito DELPHINE DE GIRARDIN, em Paris, 1861.
Foi extremamente importante e esclarecedor esse ítem, pelo momento em que estamos passando e pelos questionamentos que venho feito há alguns dias.
Ele começa falando que todo mundo fala da infelicidade e que crê fielmente ter passado por ela. Mas que a infelicidade real não é aquilo que o homem supõe. O homem a vê na miséria, na dor, na dívida, na perda de entes queridos, nas lágrimas, no coração partido, no orgulho ferido, na angústia da traição; tudo isso e outras coisas ainda, se chama infelicidade na linguagem humana.
Mas, nós nos enganamos quando achamos que a infelicidade está contida nisso tudo. Esta, segundo ele, é a infelicidade de quem vê apenas o presente; a verdadeira infelicidade está nas consequências de uma coisa do que da própria coisa. Um breve trecho para elucidar : "Dizei-me se o acontecimento mais feliz para o momento, mas que tem consequências funestas, não é em realidade mais infeliz que aquele que causa primeiro uma viva contrariedade, e acaba por resultar no bem? Dizei-me se a tempestade que quebra vossas árvores, mas saneia o ar dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade."
Nós somos realmente momentâneos, não confiamos na providência Divina em momentos difícieis que podem na realidade significar nossa salvação. Como é dito nesse ensinamento, para julgar uma coisa é preciso ver as consequências; e para apreciar o que é realmente feliz ou infeliz para o homem, é preciso se transportar além desta vida, o que acreditamos ser infelicidade, na realidade acaba com essa vida, com nossa vida mortal. Aí que está a questão, ninguém "sabe" realmente o porquê está aqui, sendo que alguém já veio, há dois mil anos, nos dizer pra que nós viemos, qual nosso objetivo!
Agora, ele nos revela, sob uma nova forma, qual a verdadeira infelicidade: "A infelicidade é a alegria (alegria não é sinônimo de felicidade), é o prazer, é a fama, é a agitação vã, é a louca satisfação da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem sobre seu futuro; a infelicidade é o ópio do esquecimento que reclamais ardentemente."
Ficou bem claro e explícito né? Mas traduzindo em outra linguagem, a infelicidade é tudo que é do mundo, tudo que não engrandece e atrapalha nosso progresso; como festas, pegação, bebidas, drogas, vaidade, ego inflado, orgulho sobressalente, falta de respeito, sexo promíscuo, desvalorização do corpo e do que somos essencialmente, o superficial, o mundano... ou seja, quase tudo que as pessoas fazem sua vida toda. E pensar que nosso país é movido por carnaval e futebol, ou seja, alegrias.
Durante o estudo, nós comentamos e chegamos à conclusão que as pessoas só vivem de infelicidades. Trabalham, na maioria das vezes, no que não gostam e pelo menos 50 % do que ganham vai para superficialidades, como roupas, bebidas, baladas, etc.
Tem uma frase do Chico Xavier, inclusive no post debaixo, que fala que a pior coisa para o espírito quando desencarna é ver o tempo perdido. Uma vida toda gasta com o supérfluo, com egoísmo, orgulho, vaidade, sendo alimentados mais uma vez ao invés de serem pelo menos amenizados. Agora, eu espero que você se pergunte, o que eu estou fazendo da minha vida? Será que viemos para isso?
Algumas pessoas dão a desculpa de "aproveitarem a vida ao máximo" com a seguinte frase: EU NÃO VOU LEVAR NADA DAQUI MESMO, se referindo quando desencarnarem e ainda completam com A VIDA É UMA SÓ! Realmente, materialmente não se leva nada, mas tudo que se faz com o que se tinha ou não tinha, com certeza levamos e carregamos conosco; isso conta e vai contar com o quanto de infelicidade cada um vive ou vai viver; o quanto de responsabilidade perante si e os outros. Essa, infelizmente é uma frase muito usada por quem não deixa o pensamento fluir e a consciência falar. Pessoas assim, mostram nitidamente que estão mais preocupadas consigo mesmas e o quanto não crêem num futuro e num Deus bom e justo. Bom sim, porque sempre nos estende a mão independente das cagadas que fazemos e justo porque criou leis perfeitas nas quais nos devolvem no mínimo na mesma proporção tudo aquilo que praticamos e almejamos.
Mais um trecho fantástico: " Esperai, vós que chorais! Tremei, vós que rides, porque vosso corpo está satisfeito! Não se engana a Deus; não se esquiva do destino (destino não no sentido de algo que está traçado, mas no sentido de que a lei nos devolve tudo); e as provas, credoras mais implacáveis que a matilha excitada pela miséria, espreitam vosso repouco ILUSÓRIO (grifo meu) para vos mergulhar de repente na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma enfraquecida pela indiferença e pelo egoísmo."
Realmente, estamos totalmente cegos e não enxergamos o que é a verdade e o que é o erro. Essa cegueira devido às ilusões nos quais nos deixamos levar.
Até mesmo em um momento ruim, eu consigo ver nitidamente que estou arraigada em certas coisas prejudiciais e que este momento pelo qual estou passando, o Marcos está passando e minha família também, foi extremamente necessário. Eu parar 45 dias da minha vida, sentir dor, carregar marcas pra sempre, depender de todos, ser carregada, reaprender a andar, perder teatro, curso, estágio; está sendo essencial para viver os outros milhares de uma forma que não viveria se tudo isso não tivesse acontecido. Isso foi algo que comentamos no estudo de ontem.
Consigo, ver e agradecer por não ter sido pior, por ter aberto meus olhos e coração pra tanta coisa, por ter me dado a oportunidade de aproveitar e viver a vida como ela deve ser vivida à partir de agora. Não estou dizendo que é fácil, que às vezes bate o desespero, a tristeza, mas é preciso paciência e fé.
Essa semana me perguntei muito se era feliz, depois da experiência que está sendo adquirida, desse ensinamento e das leituras de um livro de ética que estou lendo, cheguei à seguinte conclusão:
Agora, creio estar mais próxima de alcançar a verdadeira felicidade! A FELICIDADE REAL! Pelo menos os poucos lampejos que temos dela como humanos, pois acredito que a verdadeira felicidade não é deste mundo.
Espero que todos vocês também estejam.


Gabriela Grecco
12/04/2010

3 comentários:

  1. Hoje, abrir o Evangelho e foi neste item estudado sobre a infelicidade real. Concordo com as idéias expostas no texto. Bom dia pra você!

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  2. Bom dia querida!
    Desculpe pela demora da resposta! Tarda, mas não falha! rs
    =)

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  3. Não foi fácil tudo isso que citei no texto e ainda não é. Passei ainda por muita coisa e estou passando por todo esse processo que marcou minha vida.
    Eu achava que ia passar. Mas as marcas foram mais profundas e permanentes do que imaginava.
    Mas Deus, está sempre conosco!
    De alguma forma, é sempre um aprendizado. Mesmo sendo tão doloroso e difícil. Espero que eu aprenda direitinho.
    Que assim seja!

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